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Muitos são os indivíduos que se consultam com médicos neurologistas, otorrinolaringologistas e psiquiatras para entender e curar as dores na cabeça, nuca e pescoço. Grande parte destas pessoas encontram a resposta procurada, outras não têm a mesma sorte e descobrem, anos depois, que o caso pode ter solução após avaliação e tratamento seu cirurgião dentista.

O diagnóstico nem sempre é simples, isto em razão dessas dores serem de origem muscular e/ou da Articulação Têmporo-Mandibular (ATM) e assim podem irradiar nas diferentes partes da cabeça, temporas, ouvido, fundo dos olhos, dentes, pescoço e cansaço no maxilar. Quando estes desconfortos aparecem chamamos de Distúrbio da Articulação Têmporo-mandibular (DTM), pois frequentemente ocorre dor na região próxima dos ouvidos e é onde justamente esta articulação se encontra.

É importante saber que a maioria dos casos são conduzidos clinicamente sem a necessidade de cirurgia, muito embora se o quadro avançar poderá levar a um processo crônico-degenerativo, restando como alternativa a realização de cirurgia das ATM. Assim, é sempre importante buscar profissionais capacitados pois, com o diagnóstico o mais cedo possível pode-se obter grande melhora ou mesmo a solução para o problema.

O que é ATM?

A Articulação Têmporo-Mandibular (ATM) é uma das mais complexas articulações do corpo humano. Localizada na altura do ouvido e formada por dois ossos – a mandíbula (maxilar inferior) e o temporal (osso do crânio), seu funcionamento está associado a ossos, músculos, ligamentos e dentes. A ATM é quem se movimenta permitindo funcionar a boca, para abrir, fechar e movimentar para os lados contribuindo para mastigação e eglutição, respiração e fala.

Nesta articulação existe um tecido fibrocartilaginoso com forma de disco e que fica entre os dois ossos amortecendo o impacto e reduzindo o desgaste, e é exatamente este disco de cartilagem quem se desloca quando se ouve ruído como o estalar ou creptar.

Envolvendo e protegendo todo este conjunto existem os ligamentos, músculos, tecidos vasculares e nervos. Um destes ligamentos é a chamada cápsula articular que também é responsável por fabricar e liberar o líquido sinovial (substância nutritiva e lubrificante para a articulação).

É possível tocar as próprias ATM colocando os dedos indicadores bem a frente dos ouvidos, abrir e fechar a boca poderá perceber o movimento das articulações de cada lado da cabeça.

Principais queixas

A principal queixa na DTM é a dor de cabeça tensional, seguido por cansaço muscular na face, estalidos, crepitações e limitações de abertura bucal. Todos estes desconfortos atrapalham o indivíduo nas atividades do dia a dia do trabalho, bem como limita atos como bocejar, abrir a boca, mastigação de alimentos duros, deglutição e até falar às vezes fica difícil.

Muitas pessoas demoram a encontrar o especialista correto, porque, em alguns casos, as disfunções nessa articulação causam dores reflexas (à distância) que se irradiam para diversas regiões na cabeça e pescoço podendo se confundir com outras formas de dor como enxaquecas e problemas otorrinolaringológicos.

Pode-se citar, entre outros, alguns dos sinais e sintomas mais frequentes:

1- Sinais: desgaste dental por apertamento ou ranger de dentes, língua marcada ou mordida com frequência, estalido e crepitação na região do ouvido durante a mastigação, modificação no encaixe dos dentes, limitação no movimento da mandíbula.

2- Sintomas: cansaço muscular da face pela manhã ou ao final da tarde, zumbidos, sensação de areia no ouvido, diminuição da audição, dificuldade para deglutir alimentos.

Sinais de disfunção

Ainda que se possa variar, a abertura da boca sinaliza se a ATM está com movimento de forma correta. A amplitude deve ser equivalente a três dedos (4,5 cm) em média. Se há limitação para abrir e fechar a boca, ou mesmo desvio para esquerda ou direita neste movimento, é importante avaliar com profissional estas articulações.

O principal indicativo de uma alteração é o estalido articular (clique), normalmente acompanhado de dor. Mas a ausência de dor não é sinal de normalidade. O estalido, por si só, já traduz disfunção que podem ocorrer quando a mandíbula realiza movimentos de abertura, fechamento ou laterais, deslocamentos esses que afetam a articulação da mandíbula e os músculos que controlam a mastigação.

O trauma externo (acidente, agressão) é responsável por mais de 20% dos problemas nessa articulação. Quando falamos de traumatismos não estamos apenas nos referindo aos traumas agudos, mas também aos traumas crônicos e de baixa intensidade que acontecem diariamente como o apertamento e o ranger dos dentes (bruxismo). A ausência parcial ou total de dentes, as chamadas próteses totais (dentaduras) e a maloclusão da dentição (mordida inadequada), também são causas frequentes desses distúrbios crônicos.

Doenças sistêmicas que comprometem as cartilagens como o lúpus e as artrites reumatoides também podem ter repercussão negativa na ATM.

O prof. Zanatta afirma que, “em muitos casos a oclusão (mordida) dos pacientes apresenta-se desequilibrada em decorrência de um mau posicionamento dos dentes. Nestes casos o tratamento ortodôntico pode beneficiar o paciente. Entretanto em outras situações o que ocorre na verdade é um crescimento desigual dos maxilares (mandíbula e maxila) levando a uma severidade ainda maior nessa má-oclusão. Nesses casos a combinação do tratamento ortodôntico e da cirurgia dos maxilares (cirurgia ortognática) é possível corrigir para melhor relação entre as bases ósseas maxila/mandíbula”.

Tratamento

Para a eleição da melhor forma de tratamento é sempre necessário o correto diagnóstico. Inicialmente devemos definir se o paciente apresenta um problema relacionado a sua mordida, a sua musculatura da face ou um problema combinado com repercussão nas estruturas internas da articulação (ATM). E somente após esse diagnóstico estabelecido é que poderemos seguramente instituir a melhor forma de tratamento.

As formas de tratamento podem ser divididas em tratamentos clínicos e tratamentos cirúrgicos. O prof. Zanatta ainda ressalta que dentre os tratamentos clínicos podemos associar:

1- As prescrições de medicamentos como os ansiolíticos (que visam a diminuição da ansiedade e tensão do paciente), relaxantes musculares, antiinflamatórios (que visam a diminuição da tensão muscular e inflamação) .

2- As placas interoclusais (as popularmente chamadas de placas de bruxismo). Esses dispositivos tem como objetivo principal eliminar (somente durante o seu uso) todas as interferências dentais dessa mordida proporcionando assim um alivio na pressão sobre os músculos e essa articulação.

3- Tratamento odontológico convencional recuperando a melhor oclusão (oumordida) dos dentes, tais como ortodôntico, restaurações e próteses convencionais ou sobre implantes.

4- Fisioterapia

5- Acupuntura

Com relação aos tratamentos cirúrgicos podemos dividi-los em procedimentos cirúrgicos restritos a articulação (ATM) ou para corrigir problemas de desenvolvimento dos maxilares (Cirurgia Ortognática).

Cirúrgicos articulares

De acordo com o grau de degeneração articular a terapêutica mais apropriada pode ser:

1- Lavagem da articulação (artrocentese)

2 – Artroscopia da ATM, que consiste em visualizar articulação através de uma fibra ótica e em alguns casos realizar alguns pequenos procedimentos. Essa técnica minimamente invasiva é obtida através de duas ou três punturas sem o uso de incisões levando a ótimos resultados e praticamente sem desconforto ao paciente.

3- substituição total dessa articulação por uma prótese de titânio (prótese da ATM).

Corretivos dos maxilares

Quando essa disfunção da ATM for resultado da desarmonia dos ossos maxilares a Cirurgia Ortognática é o procedimento de escolha.

Esse procedimento modifica a posição anatômica dos maxilares buscando a melhor forma e interrelação possível.

Em resumo, o primeiro passo para um tratamento de sucesso é o correto diagnóstico. E somente a partir daí o cirurgião dentista será capaz de eleger o procedimento mais eficaz para o seu caso.

Orientação e conduta profissional

Caso você suspeite ser portador de um problema semelhante, sugiro que consulte profissionais competentes na área de Odontologia. Os profissionais que atuam nesta área (DTM) devem ter comprovada experiência para um tratamento de sucesso. Em muitos casos esse tratamento envolvem diversas especialidades, mas fique tranquilo, quando bem conduzido as chances de cura são grandes. Os profissionais que mais atuam diretamente neste diagnóstico e tratamento são: dentistas clínicos gerais, protesistas, ortodontistas e cirurgiões buco-maxilo-faciais.

Quadro informativo

O Prof. Dr. Emilio Zanatta tem experiência clínica comprovada neste assunto e atua como coordenador em diversos curso de capacitação em DTM no Brasil. Para maiores contatos: [email protected]

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fonte: band saúde www.band.com.br