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A startup financeira Creditas prepara uma expansão internacional com abertura de escritório no México e de unidade dedicada à inovação na Espanha.

A companhia também prepara o lançamento de mais serviços para este ano. Na mira estão o oferecimento de crédito consignado para profissionais do setor privado e o financiamento de imóveis e de veículos online.

Fundada em 2012 (antes com o nome BankFacil), a companhia ganhou espaço no mercado ao oferecer empréstimo pessoal para consumidores que, em troca de taxas menores, colocam um imóvel ou automóvel como garantia do pagamento.

A startup conta com 700 pessoas e afirma que pretende triplicar suas receitas em 2019, após crescer cinco vezes em 2018.

Os planos serão acelerados por injeção de capital que a empresa anunciou

nesta quarta (10).  Foram US$ 231 milhões (cerca de R$ 900 milhões) em um investimento em que a maior parte dos recursos vieram do conglomerado japonês Softbank.

O espanhol Sergio Furio, presidente-executivo e fundador da Creditas, diz que a empresa consegue crescer, mesmo em momento ruim da economia, pelo fato de o consumidor estar interessado em trocar suas dívidas por outras mais baratas.

Além disso, a startup foi beneficiada pelo aumento do uso do smartphone para a realização de transações financeiras. Segundo Furio, 85% das operações da companhia são feitas a partir desse canal. “Há cinco anos, o percentual era de 25%. Essa transformação parecia impossível”, afirma.
Segundo ele, o avanço da empresa daqui para frente virá da popularização do tipo de empréstimo que a startup fornece, de sua internacionalização e do lançamento de novos produtos.
 A diversificação dos serviços foi impulsionada, segundo Furio, pela obtenção em janeiro de autorização para que operasse como Sociedade de Crédito Direto, modalidade de instituição financeira criada pelo BC para abrigar as fintechs, dando maior autonomia para que atuassem sem depender de banco parceiro para emprestar e sujeita a regras de conformidade mais simples. 

Autorizada a oferecer seu serviço sem intermediários, a startup passou a estar sujeita a menos taxas e passou a ter mais liberdade para inovar, afirma o executivo.

Em relação ao mercado mexicano, no quala empresa espera ter sua estreia em até três meses, Furio diz que o desafio é diferente em relação ao mercado brasileiro. Enquanto aqui o consumidor consegue acesso a crédito, porém com juros muito altos, lá o desafio é a grande quantidade de solicitações negadas.

Em maio, outra fintech em expansão no Brasil, o Nubank, também anunciou sua expansão para o México.

Em relação ao cenário econômico brasileiro, Furio diz que, como a startup é pequena em relação ao seu mercado potencial, ela sofre pouco impacto da conjuntura atual. Mesmo assim, afirma que as perspectivas são boas, em especial com a possibilidade de queda de juros, que torna o custo de captação da empresa antes de emprestar menor.

“acreditamos que podemos ter entrado em nova era de juros baixos no Brasil, o que beneficia os entrantes. Quando os juros estão altos, quem ganha é o banco, que tem recursos da conta corrente, que são pouco remunerados para o consumidor, e são investidos com juros altos.”

Após o investimento, representantes do Softbank se juntarão ao conselho de administração da Creditas. 

O Softbank anunciou neste ano que investiria US$ 5 bilhões (R$ 19 bilhões) na América Latina a partir de um fundo dedicado ao continente. 

Desde então, já apostou grandes somas nas empresas Rappi, colombiana de entregas via app, Loggi, de logística, e Gympass, de academias, levando as três a atingir o status conhecido no mercado como unicórnio (startups com valor de mercado superior a US$ 1 bilhão).

Antes, o fundo investiu no aplicativo de mobilidade 99, mais tarde vendido para a chinesa Didi.

Responsável pelas maiores apostas na Uber e no Alibaba, o Softbank possui também fundo de US$ 100 bilhões (R$ 380 bilhões) para o mercado de startups, considerado o maior do mundo.

A Creditas foi avaliada em US$ 750 milhões pelos investidores.

Também apostaram na Creditas nessa rodada de investimento a Vostok Emerging Finance, Santander Innoventures e Amadeus Capital, atuais investidores da fintech.

Kaszek Ventures, Accion Frontier Fund da Quona, Redpoint eVentures, QED Investors, Naspers Fintech, International Finance Corporation e Endeavor’s Catalyst Fund também são investidores da fintech.

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Artigo publicado por Folha de São Paulo folha.com.br