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Se você já leu “Guerra Civil”, da Marvel, provavelmente sabe que humanos com diferenciação genética são tratados de uma maneira peculiar pela população. O teor ético da obra leva os personagens a uma situação na qual uma lei precisa entrar em vigor, buscando maior controle sobre os mutantes: a Lei de Registro de Super-humanos.

Sem dar spoilers aqui, imagino que os detalhes desta trama sejam retratados em Capitão América: Guerra Civil, filme que deve chegar aos cinemas no dia 6 de maio de 2016. Veja o trailer:

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Note que um dos principais problemas dos governantes na estória se torna explícito: humanos que atuam sem supervisão e poderes absolutos. Já o medo iminente da perda do controle é latente. Some a isso a dúvida em relação ao futuro da própria raça humana e temos fenômenos controversos, mas compreensíveis.

Trazendo isso para o mundo real, sabemos que a manipulação genética já é capaz de combater doenças, como o caso da Layla, esta garotinha que tinha Leucemia e foi salva. Para entender melhor, com uma perspectiva científica, leia o artigo neste link.

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Quando ela tinha apenas três meses de idade os médicos diagnosticaram uma doença na qual células estaminais cancerosas em sua medula óssea agiam de forma a atrapalhar seu sistema imunológico. Por ser muito nova, o tratamento com quimioterapia não era efetivo. Eles tentaram então um transplante de medula óssea, que também não funcionou.

Já quase no desespero, a família aceitou participar de um experimento que, apesar de ter grande sucesso em ratos, nunca tinha passado por testes clínicos em humanos.

O estudo basicamente introduz células saudáveis (de doadores), com genes modificados com um receptor CAR19 que vão se instalar nos linfócitos T (pelotão de frente do nosso sistema de defesa). Quando isso acontece, estes linfócitos passam a atacar a proteína CD19 e… Hey, acorda aí, pô. É importante isso aqui.

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Pra ficar mais simples, essa modificação executa a seguinte tarefa: numa pegada assassino de aluguel, encontrar e matar uma proteína encontrada nas células que causam leucemia linfoblástica aguda.

Depois de lidarem com os anticorpos que tentaram combater o receptor, e alterarem os linfócitos T (chamando-os agora de UCART19), os médicos fizeram um segundo transplante de medula, que deu certo, e seu sistema imunológico foi restaurado com sucesso. Assim os linfócitos UCART19, utilizados na cura, não são mais necessários e o próprio sistema imunológico se encarrega de eliminá-los. Hoje Lyla está curada e não possui mais nenhuma célula geneticamente modificada em seu corpo.

Dadas as devidas diferenças, o mesmo conceito deste tratamento está sendo estudado para melhorar a vida de quem possui HIV.

É como se um hacker invadisse um sistema com problemas, extraísse dados do seu código fonte, programasse uma sub-rotina capaz de corrigir os problemas do sistema e melhorar as heurísticas do antivírus instalado. Assim que o sistema passa a funcionar corretamente, o próprio antivírus vai lá e remove a sub-rotina.

Genial, né?

E agora, cientistas do Departamento de Desenvolvimento de Biologia Celular da Universidade de Massachusetts desenvolveram um método capaz de eliminar por completo uma doença como a distrofia muscular facial.

Isso é feito através de uma nova técnica de edição genética chamada Aglomerados de Repetições Palíndricas Curtas Regularmente intercaladas. Ou CRISPR, usando o acrônimo em inglês em respeito ao seu fôlego de leitura.

Com esta técnica, é possível substituir os genes com problemas e “desativar” a doença, numa abordagem que envia uma mistura de proteínas e RNA que se anexam ao gene, recondicionando-o. É extremamente promissor.

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Estou lendo o paper aqui e preciso fazer algumas ressalvas. Como cada caso é um caso, não preciso dizer que isso não significa o fim de todas as doenças que existem, certo? Primeiro porque se trata de um resultado preliminar feito com cobaias não humanas. Segundo que a taxa de sucesso ainda está em 50%, o que demanda muito mais pesquisas para seu aprimoramento.

De qualquer forma, a possibilidade de alterar a raíz de uma doença em seu caráter genético, em vez de focar só nos sintomas e seu tratamento, pode significar um avanço histórico da medicina como a conhecemos.

E aí eu volto ao tópico inicial: quão ético é modificar um gene para salvar uma vida. O indivíduo geneticamente modificado continua sendo a mesma pessoa? Pessoalmente, dentro do que eu li dos artigos, não vejo problema algum. Espero que nenhuma organização de caráter não científico tente se opor aos estudos.

No mais, além dos mutantes, fico aqui pensando em super heróis que trabalham com supervisão e poderes pautados na ciência. Cientistas são os super humanos da vida real.

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fontes: Urandir News & Record Tecnologia www.r7.com