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Donald Trump acerta ao criticar a atuação da Organização Mundial de Saúde.

Os seus dirigentes gaguejam na hora de abordar a responsabilidade da China pelo atraso na notificação da pandemia ou na comunicação fantasista do número de infectados e vítimas.

Mas o presidente americano omite um detalhe: ele é o principal responsável pela instrumentalização da OMS.

Por uma combinação de incompetência e ideologia, o seu governo deixou de jogar o jogo do multilateralismo. E a China ocupou o vazio.

Em 2017, quando os europeus tentaram dar um novo rumo à OMS, dirigida por representantes da China havia quase uma década, Pequim aproveitou a apatia de Washington para eleger um novo aliado,
o etíope Tedros Adhanom.

Antes de a pandemia explodir, o diretor-geral atuava como comercial da “rota da seda da saúde”, uma tentativa chinesa de dominar a saúde global. Enquanto isso, a administração Trump ordenava cortes no orçamento do sistema das Nações Unidas.

A decisão americana de abandonar o financiamento da OMS deve, portanto, ser recebida com uma ponta de ironia. Se é verdade que Washington pagava as contas, quem mandava na máquina eram os chineses.

O que é suposto ser uma demonstração de força vinda de Donald Trump é, na realidade, a constatação de sua incompetência.

A relação dos Estados Unidos com China aparece como uma das dinâmicas mais contraintuitivas da era Trump.

A escalada retórica e a guerra comercial davam a impressão de que ele era o primeiro presidente americano a peitar os chineses.

É o avesso: ele foi o grande facilitador da troca de guarda na comunidade internacional.

A capitulação dos Estados Unidos também compromete a reação das organizações multilaterais à crise econômica global.

Sob as ordens de Trump, o secretário do Tesouro americano vetou o plano de aumento de liquidez desenhado pelo FMI para ser destinado aos mercados emergentes.

A justificativa é cruel: Venezuela, Irã e outros que aparecem como vilões devem sofrer sozinhos.

Com uma liderança tão mesquinha, a repetição do histórico G20 de Londres, quando Barack Obama, Lula e Gordon Brown articularam o pacote crucial do FMI em 2008, não passa de uma miragem.

Falar de novo século chinês ainda é premeditado. Uma das poucas certezas de um possível governo Joseph Biden, o recém-designado candidato democrata nas presidenciais, será o regresso em força
da diplomacia americana.

O democrata instaria potências médias como o Brasil a deixar de loucuras e retomar o seu papel histórico nos fóruns globais.

O momento atual deve servir de aviso para a esquerda “Guerra Fria”, que insiste em ver no declínio americano o prenúncio de um mundo mais justo.

​Até agora, a diplomacia da pandemia tem se resumido à criação de realidades epidemiológicas alternativas, à promoção de soluções autoritárias, e à venda no atacado de máscaras e respiradores.

Já deu tempo de sobra para sentir saudades do bom e velho calhambeque do multilateralismo, dirigido pelos Estados Unidos.

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fonte: Folha de São Paulo folha.com.br