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Ainda não sabemos se o novo presidente de centro-direita de El Salvador, Nayib Bukele, 37, que tomou posse no último dia 1 de junho, dará conta da quantidade de problemas que tem seu país. Só para citar os mais importantes: uma grave crise econômica, a presença das “maras” (gangues) que causam violência e a fuga de salvadorenhos em busca de uma vida melhor nos EUA, um sistema político corrupto deixado pelos dois grandes partidos que governaram o país nos últimos 30 anos, o esquerdista FMLN (Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional) e o direitista Arena (Alianza Republicana Nacionalista), além de uma relação complicada com o governo de Donald Trump por causa da chamada “crise da imigração”.

Por ora, o que se pode ver é que Bukele está tentando dar um banho de ânimo em seus compatriotas com seu jeitão de presidente descolado e carismático, o mais jovem a chegar à Presidência do país. A estratégia tem sido a de contaminar seus seguidores com a própria auto-estima. Em sua conta de Twitter, por exemplo, ele se descreve nada menos como “el Presidente más guapo y cool del mundo mundial” (o presidente mais lindo e cool do mundo mundial). Bukele não se veste como um presidente tradicional, usa camisas justas, nada de gravata, cabelo e barba tratados com gel, jeans e está sempre sorridente.

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Reprodução da página do presidente Nayib Bukele em rede social (Foto Reprodução)

É de se elogiar que um de seus primeiros atos tenha sido reconhecer que o Estado esteve por trás do massacre de El Mozote, ocorrido entre os dias 10 e 12 de dezembro de 1981, quando El Salvador estava em meio a uma guerra civil.

Na ocasião, com a justificativa de que perseguiam a guerrilha de esquerda que combatia a ditadura militar, o Exército salvadorenho arrasou o povoado de El Mozote, deixando um saldo de 986 mortos, entre eles 552 crianças e 12 mulheres grávidas. Tanto governos de direita como de esquerda, até hoje, se recusaram a reconhecer a operação como um erro e um desastre. Afinal, logo se constatou, com a presença de observadores e peritos forenses internacionais, que os mortos eram camponeses, e não tinham relação alguma com a guerrilha.

Agora, com o reconhecimento por parte do presidente, será possível que as causas que estão paradas na Justiça andem e que outras sejam acrescentadas, afinal, o massacre de El Mozote ganhou por fim o status de uma situação de abuso de direitos humanos. Os crimes cometidos contra civis aí são de lesa humanidade, sem possibilidade de prescrição. O mais curioso é que os dois partidos tradicionais, até hoje inimigos mortais, o FMLN e o Arena pretendem levar ao Congresso uma nova Lei de Anistia, para livrar de julgamentos aliados de suas agrupações. Ou seja, ainda haverá alguns obstáculos para que a Justiça seja feita, mas um passo significativo foi dado.

Há que se acompanhar para ver se Bukele se mostra tão valente e com iniciativa para enfrentar também os outros sérios problemas de El Salvador.

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fonte: Folha de São Paulo folha.com.br