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Publicações como a New Yorker e instituições como o Council on Foreign Relations já compararam o presidente brasileiro Jair Bolsonaro com seu homólogo filipino Rodrigo Duterte.

Tanto a revista como o CFR destacam, para justificar a comparação, as semelhanças entre seus discursos, em particular no endosso à truculência policial e a execuções extrajudiciais.

Se essa comparação é correta, tenho uma péssima notícia para os críticos de Bolsonaro: usar armas —e não apenas simulá-las com as mãos— é um tremendo elixir eleitoral. Duterte ganhou com um pé nas costas o pleito filipino na segunda-feira (13), a ponto de ter conseguido eleger todos os 12 postos senatoriais que estavam em disputa.

O mandato do próprio Duterte não estava em jogo. Eram eleições de metade de mandato que incluíam a disputa por mais de 200 cargos de prefeito e governador e 245 assentos na câmara baixa do Parlamento, na qual já está certo que Duterte vai manter sua ampla maioria.

O crucial era o pleito para o Senado, Casa tida como independente até então, mas que caiu redondamente no colo do presidente.

“Se tomarmos estas eleições como um veredito sobre a performance da administração Duterte, então foram um retumbante selo de aprovação”, escreveu o jornalista John Leo Algo para a publicação digital Rappler, independente, mas crítica do governo.

Há dois outros pontos a considerar para comparar Duterte e Bolsonaro. Ponto 1: “As eleições de 2016 [as que levaram Duterte ao poder] revelaram, apesar da calma na superfície, uma crise sistêmica na ordem política que as Filipinas haviam construído por anos”, escreveu para a Foreign Affairs Mark Thompson, diretor do Centro de Pesquisa para o Sudeste Asiático da City University de Hong Kong.

É perfeitamente possível dizer que o pleito de 2018 no Brasil teve idêntica característica, com exceção da “calma na superfície”, que não havia por aqui.

Ponto 2: Duterte se define como socialista, mas montou, na área econômica, uma equipe de tecnocratas pró-mercado. Foi o que fez, no Brasil, Jair Bolsonaro, com passado de estatizante e corporativista.

O que diferencia bastante os dois dirigentes é a evolução da popularidade. No caso das Filipinas, as 20 mil mortes já registradas e a aceitação de execuções extra-judiciais não impediram que Duterte tenha alcançado um pico de prestígio: de acordo com o instituto Social Weather Stations, 79% dos filipinos estavam, em março, satisfeitos com o desempenho do presidente —cinco pontos mais do que o já alto registro de dezembro de 2018.

No Brasil, Bolsonaro está fazendo percurso inverso nas pesquisas.

Mas a comparação é inadequada, porque Duterte já está há três anos no governo, ao passo que Bolsonaro entrou no seu quinto mês de gestão.

Resta ver se pode recuperar popularidade seguindo a mesma trilha de Duterte, que, segundo o New York Times, vai aproveitar o sucesso eleitoral para adotar novas medidas. Quais? Algumas que Bolsonaro não teria pudor de copiar, se pudesse: abolir a limitação de mandatos, baixar a idade da responsabilidade penal para agressores de crianças e restabelecer a pena de morte.

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fonte: Folha de São Paulo folha.com.br