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Nanicos levam propostas inusitadas a pleito nos EUA  Just True Urandir Pesquisa Ciencia Ufologia Tecnologia  f258 15636595755d338d37cace1 1563659575 3x2 rt   urandir   MUNDO   Nanicos levam propostas inusitadas a pleito nos EUA

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​​Um país onde tirar petróleo do chão é proibido, negros recebem reparações pela escravidão e todos os adultos ganham US$ 1.000 (R$ 3.760) mensais do governo para gastar como quiserem. É o que propõem alguns dos pré-candidatos democratas à Presidência dos EUA.

Propostas estridentes são uma tentativa de se diferenciar entre os 25 nomes da disputa, um recorde desde que o modelo atual de primárias foi adotado, em 1972. [veja infográfico com os concorrentes abaixo]

Embora 16 deles sejam homens brancos, há também seis mulheres, um negro, um asiático e um candidato abertamente gay na corrida. 

E metade vem de cargos de menor poder, como prefeitos e deputados, ou de fora da política: há bilionário, empresário e escritora.

“Metade desses nomes não deve chegar até o início das primárias”, analisa Lucas Leite, doutor em Relações Internacionais e professor da Faap.

“A pulverização é péssima para os democratas porque atrapalha na criação de consensos contra [o presidente e provável rival republicano] Donald Trump, mas é boa para mostrar que o partido tem fôlego e tenta trazer gente nova.”

A expectativa deles é repetir a trajetória dos últimos dois vencedores, que conquistaram a Casa Branca apostando na imagem de alguém de fora do sistema. Barack Obama era senador em primeiro mandato em 2008, e Trump, empresário que nunca havia disputado uma eleição. 

Por enquanto, veteranos estão à frente nas pesquisas. O ex-vice de Obama, Joe Biden, 76, lidera com 27,3%, seguido por três nomes do Senado: Elizabeth Warren, 70 (16,3%), Bernie Sanders, 77 (14,8%), e Kamala Harris, 54, (14,3%). Os dados são do site RealClearPolitics, que faz uma média entre diversos levantamentos. 

No segundo pelotão, aparecem Pete Buttigieg, 37, (6%) prefeito de South Bend, em Indiana, e Beto O’Rourke, 46, (2,5%), ex-deputado pelo Texas, ambos mais jovens e em ascensão no partido. Outros 15 nomes brigam para chegar ao menos a 2%.

A imigração e a questão ambiental, dois temas caros a Trump, estão presentes em várias campanhas. De origem latina, Julián Castro (1%), 44, promete facilitar a entrada de estrangeiros no país e, ao mesmo tempo, criar um “Plano Marshall” para a América Central, que incluiria melhorar as relações com os governos, estimular a criação de empregos nesses países e combater a corrupção e a violência local. 

O plano é que, com mais oportunidades nesses locais, menos pessoas decidam tentar a sorte nos EUA.
Washington já repassou a esses países, entre 2015 e 2018, US$ 2,6 bilhões (R$ 9,7 bi hoje). Castro defende que essa ajuda precisa mudar. 

“Muitas vezes, líderes autoritários da América Central usaram os EUA para promoverem a si mesmos”, disse ele, ex-secretário de Habitação do governo Obama, em entrevista ao jornal britânico The Guardian.

Na área ambiental, quem tem as propostas mais radicais é Jay Inslee (0,8%), 68, governador de Washington. Ele defende que o governo deixe de subsidiar petroleiras e aumente a cobrança de impostos sobre o setor.

Inslee promete ainda vetar a exploração de petróleo em terras federais e negociar com o Congresso para que o país proíba o uso da força hidráulica para quebrar rochas de xisto —modelo questionado pelos danos ambientais.

De olho na questão racial, a escritora Marianne Williamson (0,5%), 67, propõe a criação de um fundo de até US$ 500 bilhões (R$ 1,8 trilhão) para um programa de reparação para os negros, durante 20 anos.

“Um conselho de líderes afroamericanos determinaria os projetos educacionais e econômicos para o qual o dinheiro seria usado”, diz seu programa de governo. 

Já o empreendedor Andrew Yang (1,8%), 44, se propõe a defender os americanos dos riscos da tecnologia.

Ele quer oferecer uma renda mínima como forma de proteção ao corte de empregos gerado pela automação. Seu projeto, Dividendo da Liberdade, prevê US$ 1.000 (R$ 3,7 mil) mensais para os maiores de 18 anos.

Yang lista mais de cem propostas, como criar um fundo para ajudar a salvar shoppings da falência. O dinheiro também ajudaria a recuperar espaços que já fecharam, de modo a evitar que haja degradação urbana na região. 

Ele também pretende abrir um departamento para regular o excesso de uso de smartphones, multar empresas que fizerem ligações automáticas (aquelas que caem logo após a pessoa atender) e criar formas para monitorar a saúde mental dos funcionários da Casa Branca. 

“Devemos estar 100% confiantes de que as pessoas no poder não possuem problemas psicológicos severos”, diz em seu site de campanha.

“Normalmente, esse tipo de postura mais extrema é filtrado nas prévias, onde vencem os mais moderados, mas não vivemos tempos normais na política”, diz Leandro Consentino, cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política. 

Falta um ano para as convenções partidárias, que confirmam os nomes para a disputa da Presidência. O primeiro desafio é conseguir espaço nos debates na TV. 

Serão seis encontros até o fim de 2019, e o partido estabeleceu regras de corte: é preciso atingir ao menos 1% nas pesquisas ou obter doações de ao menos 65 mil contribuintes diferentes. Esse mecanismo tirou cinco candidatos do primeiro debate, em junho.

As primárias, quando eleitores decidem o candidato de seu partido, ocorrem de fevereiro a junho de 2020. É comum que os nomes sejam definidos antes disso. Trump, por exemplo, confirmou seu nome em maio de 2016.

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fonte: Folha de São Paulo folha.com.br