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Mais de 100 bilhões de pílulas de opioides foram distribuídas nos EUA em nove anos  Just True Urandir Pesquisa Ciencia Ufologia Tecnologia  c1dc 15716903665dae177e0da90 1571690366 3x2 rt   urandir   MUNDO   Mais de 100 bilhões de pílulas de opioides foram distribuídas nos EUA em nove anos

Dados federais recém-divulgados sobre medicamentos mostram que mais de 100 bilhões de doses de oxicodona e hidrocodona foram distribuídas nos Estados Unidos entre 2006 e 2014 —24 bilhões de doses a mais dos analgésicos altamente viciantes do que o público sabia anteriormente.

Os dados, que traçam o caminho de todos os remédios contra dor vendidos no país, mostram até que ponto os opioides inundaram o país, enquanto o número de mortes causadas pela epidemia continuou aumentando durante nove anos.

O jornal The Washington Post e a empresa proprietária do jornal Charleston Gazette-Mail, na Virgínia Ocidental, foram os primeiros a terem acesso aos dados, que foram coletados pela DEA (Agência de Repressão às Drogas (DEA), de 2006 a 2012, depois de uma luta judicial de um ano.

Em julho, o Washington Post informou que os dados revelaram que as empresas farmacêuticas do país tinham fabricado e distribuído mais de 76 bilhões de analgésicos.

Os dados sobre dois anos adicionais —2013 e 2014— foram divulgados recentemente por uma empresa de análise de dados gerenciada por advogados dos demandantes em um enorme processo contra a indústria de opioides.

“Mais de 100 bilhões de comprimidos —é simplesmente de cair o queixo”, disse Peter Mougey, advogado de demandantes em Pensacola, na Flórida. “Os dados demonstram que todas as comunidades do país foram impactadas negativamente.”

As informações recém-divulgadas, que traçam o caminho dos medicamentos de fabricantes e distribuidores até as farmácias de todo o país, confirmam novamente que seis empresas distribuíram a grande maioria das pílulas contra dor.

McKesson Corp., Cardinal Health, Walgreens, AmerisourceBergen, CVS e Walmart responderam por 76% das pílulas de oxicodona e hidrocodona distribuídas entre 2006 e 2014, de acordo com uma análise do Washington Post. Os novos dados serão adicionados ao banco de dados de pílulas publicado anteriormente pelo jornal.

Três fabricantes ainda respondiam por 85% dos medicamentos: SpecGx, subsidiária da Mallinckrodt; Actavis Pharma; e Par Pharmaceutical, subsidiária da Endo Pharmaceuticals.

O volume de comprimidos distribuídos disparou à medida que a epidemia deixava mais vítimas. De 2006 a 2014, mais de 130 mil americanos morreram por causa de opioides vendidos sob prescrição.

O número de comprimidos produzidos passou de 8,4 bilhões em 2006 para 12,8 bilhões em 2011. A distribuição desses remédios começou a diminuir levemente em 2012, e dados adicionais mostram que em 2014 o número de comprimidos distribuídos foi 11,8 bilhões.

O declínio nas pílulas distribuídas coincide com a repressão da DEA a alguns dos maiores nomes da indústria farmacêutica, incluindo CVS, Walgreens, McKesson e Cardinal.

A DEA acusou as empresas de não denunciarem pedidos suspeitos de analgésicos ao governo federal e de enviá-los mesmo depois que as empresas foram avisadas e multadas, segundo registros da agência.

Os novos dados confirmam ainda os estados que mais receberam opioides proporcionalmente : Virgínia Ocidental, com 66,8 comprimidos por pessoa por ano; Kentucky, com 63,6; Carolina do Sul, com 60,9; e Tennessee, com 59. A Virgínia Ocidental também teve a maior taxa de mortalidade por opioides prescritos durante o período de nove anos.

Os dados da DEA são obtidos de um banco de dados conhecido como ARCOS, ou Sistema de Automação de Relatórios e Pedidos Consolidados. Ele revela o que cada empresa relatou à DEA sobre as pílulas que distribuía dia após dia, cidade por cidade.

O caso está no centro de um processo judicial pendente no tribunal federal de Cleveland, onde quase 2.500 cidades, condados e tribais indígenas processaram duas dúzias de fabricantes, distribuidores e farmácias por supostamente terem alimentado a epidemia de drogas mais mortal da história dos EUA.

Em outubro, várias empresas chegaram a um acordo de US$ 260 milhões (R$ 1,08 bilhão) com dois condados de Ohio. Os demais processos estão pendentes.

As companhias culparam pela epidemia de opiáceos a prescrição excessiva de médicos e farmácias e os clientes que abusaram dos medicamentos. As empresas também disseram que trabalhavam para suprir as necessidades de pacientes com prescrições legítimas, desesperados pelo alívio da dor.

O juiz distrital dos EUA Dan Aaron Polster, que está supervisionando o caso, permitiu que os autores e réus vissem os dados da DEA de 2006 a 2014 sob uma ordem de segredo de Justiça, protegendo-os da opinião pública juntamente com dezenas de milhares de registros judiciais. O Washington Post e o Gazette-Mail processaram para obter acesso ao material e venceram a batalha judicial em julho.

Depois que as organizações de notícias processaram, o juiz Polster divulgou os dados da DEA até 2012, mas reteve os de 2013 e 2014. As empresas farmacêuticas argumentaram que a divulgação dessas informações poderia prejudicar sua vantagem competitiva, e o Departamento de Justiça alertou que os dados mais recentes poderiam comprometer as investigações em andamento.

Advogados dos municípios acusaram fabricantes de medicamentos, atacadistas e farmácias de disseminar a epidemia de opiáceos, ao produzir, distribuir e revender dezenas de bilhões de comprimidos de analgésicos.

As companhias pagaram mais de US$ 1 bilhão (R$ 4,16 bilhão) em multas ao Departamento de Justiça e à FDA (Agência de Alimentos e Medicamentos) por alegações relacionadas a opiáceos, e centenas de milhões a mais para resolver processos judiciais estaduais.

Os acordos com o Departamento de Justiça eram frequentemente acompanhados por acertos que mantinham detalhes dos casos ocultos do público.

Juntos, os dados e os documentos oferecem ao público um mapa inédito da epidemia de opioides.

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fonte: Folha de São Paulo folha.com.br