Notícias Mundo by Urandir & Just-True

Exército russo ocupa vácuo deixado pelos EUA no norte da Síria  Just True Urandir Pesquisa Ciencia Ufologia Tecnologia  6874 15711636835da60e2394088 1571163683 3x2 rt   urandir   MUNDO   Exército russo ocupa vácuo deixado pelos EUA no norte da Síria

A Rússia disse nesta terça-feira (15) que suas unidades militares estavam patrulhando o território no norte da Síria, entre as forças sírias e turcas, após a retirada dos Estados Unidos da área, ressaltando a súbita perda da influência do país na região e ilustrando como o equilíbrio de poder local mudou rapidamente na última semana.

O anúncio de que as forças russas estavam patrulhando uma área onde os EUA mantinham duas bases militares até segunda-feira (14) pareceu sinalizar uma jogada de Moscou para preencher uma lacuna de segurança deixada pela retirada dos militares norte-americanos e de seus parceiros em uma missão internacional de luta contra o terrorismo.

Nas redes sociais, circulam vídeos que parecem mostrar um homem falando em russo enquanto caminha em uma base militar dos EUA recentemente evacuada no norte da Síria.

O Ministério da Defesa da Rússia disse em comunicado que sua polícia militar, com presença já instalada em outras partes da Síria, estava patrulhando “as fronteiras do noroeste do distrito de Manbij ao longo da linha de contato dos militares da República Árabe da Síria e dos militares turcos”.

O ministério disse ainda que suas tropas estavam articulando “com o lado turco” e que “o Exército do governo sírio assumiu o controle total da cidade de Manbij e das áreas povoadas próximas”.

Os acontecimentos desta terça-feira ocorreram enquanto um porta-voz da coalizão liderada pelos EUA disse no Twitter que suas forças, que incluem soldados franceses e britânicos, deixaram a antiga cidade curda de Manbij. “As forças da coalizão estão realizando uma retirada deliberada do nordeste da Síria”, escreveu o coronel Myles B. Caggins. “Estamos fora de Manbij.”

A Rússia e a Turquia serão em breve os únicos exércitos internacionais presentes na região.

Tropas turcas e sírias estão disputando o controle de grandes partes do norte da Síria, que eram administradas por um governo curdo sírio autônomo até a invasão liderada pela Turquia no dia 9 de outubro.

De acordo com uma emissora estatal síria, nesta terça tropas do governo sírio foram destacadas para a cidade de Manbij, no norte do país, enquanto as forças lideradas pela Turquia avançavam no interior fora da cidade. Em outros lugares, combatentes liderados pelos curdos tentaram retomar das forças lideradas pela Turquia a cidade estratégica de Ras al-Ayn, na fronteira.

O fogo pesado de metralhadoras pode ser ouvido no sul e sudoeste de Ras al-Ayn e na cidade fronteiriça turca de Ceylanpinar, a menos de 1,6 km dos combates. A artilharia turca atingiu um subúrbio a leste do assentamento sírio no meio da manhã, levantando nuvens de fumaça sobre os sítios e bosques de pistache abaixo.

Até terça-feira, os combates em Ras al-Ayn e outras áreas no norte da Síria obrigaram pelo menos 160 mil pessoas a deixar suas casas, segundo estimativas da ONU. De acordo com as estimativas das autoridades curdas, foram 270 mil.

A batalha enfatizou a natureza flutuante da incursão turca, que começou depois que o presidente Donald Trump ordenou a retirada das tropas americanas da fronteira entre a Turquia e a Síria, abrindo caminho para as tropas turcas e seus representantes árabes sírios entrarem em território de posse curda no norte da Síria.

A decisão da Casa Branca foi condenada internacionalmente e deixou um sentimento de traição nos combatentes, transformando rapidamente a situação em um banho de sangue. Especialistas na região alertaram que a retirada das tropas dos EUA encorajaria a Rússia, o Irã e o grupo do Estado Islâmico (EI).

Abandonadas pelos norte-americanos e perdendo rapidamente terras para a força turca, as autoridades curdas buscaram proteção do governo sírio e de seu maior patrocinador, a Rússia.

Desde que as autoridades curdas pediram ajuda ao governo do ditador Bashar al-Assad, milhares de soldados do Exército Sírio invadiram o norte da Síria pela primeira vez desde que o governo perdeu o controle da região há vários anos.

Mas as tropas do governo sírio ficaram afastadas da região de fronteira perto de Ras al-Ayn, onde as tropas curdas lutam sozinhas. Em vez disso, as forças do governo se posicionaram em outras áreas estratégicas, como as cidades a oeste de Manbij, para ajudar a aliviar a pressão sobre os combatentes curdos na linha de frente.

A aliança de última hora tem um alto custo para as autoridades curdas, que estão efetivamente desistindo de uma administração autônoma. As milícias curdas sírias estabeleceram um sistema de autogoverno no norte da Síria em 2012, quando o caos da guerra civil síria lhes deu a chance de criar um pequeno território autônomo livre da influência do governo central.

Os combatentes expandiram muito seu território depois de se associarem a uma coalizão militar internacional, liderada pelos EUA, para expulsar o EI da área.

Depois que os combatentes liderados pelos curdos conquistaram o território do EI, eles assumiram a responsabilidade por sua governança, eventualmente controlando cerca de um quarto de terras sírias.

Eles também estão protegendo milhares de combatentes do EI e suas famílias, centenas dos quais fugiram de um campo de detenção em Ras al-Ayn depois que forças lideradas pela Turquia bombardearam a área no entorno.

O controle dos curdos sobre o território na Síria enfureceu a Turquia, pois a milícia é uma ramificação de um grupo guerrilheiro que conduziu uma insurgência por décadas contra o Estado turco. A Turquia há muito tempo pressiona os EUA a abandonar sua aliança com os combatentes curdos, para que as tropas turcas possam entrar na Síria e forçar os curdos a sair de um território próximo à fronteira.

Por vários anos, o governo americano rejeitou os pedidos da Turquia, mantendo uma presença de manutenção de paz de fato ao longo da fronteira perto de Ras al-Ayn, a cidade no centro dos combates na sexta-feira (11). Mas isso mudou na semana passada, quando Trump tomou uma decisão repentina de retirar as tropas —primeiro daquela área em particular e depois de todo o norte da Síria.

Enquanto isso, na Grã-Bretanha, um dia após os ministros das Relações Exteriores de todos os 28 países membros da União Europeia concordarem, por unanimidade, em parar de vender armas para a Turquia —a primeira vez que o bloco chegou a essa decisão a respeito de um aliado da Otan —a Grã-Bretanha anunciou uma suspensão desses laços com a Turquia.

Dominic Raab, secretário de Relações Exteriores da Grã-Bretanha, disse na Câmara dos Comuns nesta terça que “não serão concedidas mais licenças de exportação para a Turquia para itens que possam ser usados em operações militares na Síria” até que o governo conduza uma análise.

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, deixou claro que não vai ceder à pressão para cessar a ofensiva.

“Em breve, garantiremos a região de Manbij até a fronteira com o Iraque”, disse ele, durante uma visita ao Azerbaijão, referindo-se à extensão de 370 km de território.​

facebook profile!

Notícias Mundo – by Urandir & JustTrue
fonte: Folha de São Paulo folha.com.br