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A USP, em parceria com o Middle East Monitor e o Common Action Forum, organiza neste mês sua segunda conferência internacional sobre a questão palestina. O evento “Oslo aos 25: a Paz Elusiva” será realizado nos dias 22 e 23 de outubro no Auditório Nicolau Sevcenko, dentro da universidade, com ingresso gratuito. As inscrições devem ser feitas pelo site oficial, onde está também a programação completa.

O foco será os Acordos de Oslo, assinados há 25 anos entre líderes israelenses e palestinos. O objetivo daquele tratado era encerrar os conflitos entre as partes e gradualmente estabelecer um Estado palestino autônomo. Como consequência, a Autoridade Nacional Palestina foi criada e os territórios da Cisjordânia foram divididos em áreas de controle palestino, israelense e misto. O acordo, no entanto, nunca foi implementado por completo — ambas as partes acusam os rivais de não ter se comprometido com o processo, e a morte do premiê israelense Yitzhak Rabin em 1995 abalou o projeto de paz.

O evento da USP contará com diversos analistas políticos, incluindo palestinos e israelenses, para discutir o legado destes últimos 25 anos de negociações. Estarão presentes, por exemplo, Ibrahim El Zeben, embaixador palestino no Brasil, e Yuri Haasz, ativista israelo-brasileiro. A lista de convidados inclui também Paulo Sérgio Pinheiro, presidente da Comissão Internacional de Inquérito sobre a Síria na ONU; Safa Jubran, diretora do departamento de letras orientais da USP; Ben White, analista político; Ramzy Baroud, jornalista árabe-americano nascido em Gaza e Soraya Misleh, a autora do livro “Al Nakba”.

Os debates coincidem com eleições especialmente complexas no Brasil, com o afloramento de discursos de ódio — e intensas discussões sobre a questão palestina. O candidato Jair Bolsonaro (PSL), por exemplo, prometeu em campanha que, se for eleito, irá retirar a Embaixada Palestina do Brasil. “A Palestina, não sendo país, não teria embaixada aqui”, disse. “Não pode fazer puxadinho, se não daqui a pouco vai ter uma representação das Farc também. A Dilma negociou com a Palestina e não com o povo de lá. Você não negocía com terrorista.”

Outra das promessas de Bolsonaro — mover a embaixada brasileira de Tel Aviv a Jerusalém, na prática reconhecendo aquela cidade como capital israelense — deve ser uma dor de cabeça ao governo. Uma reportagem recente da Folha mostrou que esse gesto ameaçaria as vultosas exportações de carne brasileira a países de maioria islâmica. Guilherme Boulos (PSOL), por outro lado, inaugurou sua campanha presidencial justamente nos territórios palestinos, acenando  assim com um gesto de simpatia àquela parte no conflito.

Bolsonaro venceu o primeiro turno na maioria das representações diplomáticas brasileiras no exterior, como capitais europeias e cidades americanas. Por outro lado, um dos únicos pontos em que Fernando Haddad (PT) venceu foi Ramallah, a capital administrativa da Autoridade Nacional Palestina — o petista teve 72% dos votos ali, sinal de seu apoio e também amostra da rejeição ao discurso de Bolsonaro.


Bolsonaro é batizado nas águas do Rio Jordão em 2017. Crédito Reproducao/www.ocorreiodedeus.com.br





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fonte: Folha de São Paulo folha.com.br