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Chavista moderado, jovem governador vira opção para substituir Nicolás Maduro  Just True Urandir Pesquisa Ciencia Ufologia Tecnologia  e5a8 15631518565d2bcdf0c1e79 1563151856 3x2 rt   urandir   MUNDO   Chavista moderado, jovem governador vira opção para substituir Nicolás Maduro

Oficialmente, o chavismo diz não ter um plano B para substituir o ditador Nicolás Maduro, apesar da pressão interna e externa por uma mudança no comando do país. Mas a Folha apurou que o regime se prepara indicar um eventual sucessor caso seja necessário convocar novas eleições. 

O escolhido para ser o candidato governista em um eventual pleito é o jovem político Héctor Rodríguez, 37. Sorridente, carismático e simpático, é uma das poucas lideranças do chavismo que ainda goza de alta popularidade.

Durante as negociações mediadas pela Noruega que tentavam por fim ao impasse no país, a oposição exigiu a convocação de eleições livres e com a presença de observadores internacionais independentes. 

O chavismo não quer ceder neste ponto. Porém, nas filas internas do movimento se discute o que fazer caso a eleição se mostre inevitável diante da deterioração ainda maior da crise humanitária e da divisão interna da cúpula do regime, tanto da ala civil quanto da militar. 

É por isso que a discussão sobre um eventual sucessor ganhou corpo e o nome de Rodríguez se fortaleceu para ocupar essa posição. 

Sites jornalísticos venezuelanos, também afiram que ele é o nome escolhido por Maduro caso o ditador tenha de deixar o poder.  

Rodríguez leva vantagem sobre dirigentes históricos da ditadura, como Diosdado Cabello ou o atual ministro da Indústria, Tareck El Aissami. 

Apesar de ambos não esconderem suas pretensões presidenciais, eles são acusados de uma série de delitos internacionais —de narcotráfico à lavagem de dinheiro. 

Os dois são ainda alvos de buscas da Justiça americana, o que significa que Washington dificilmente aceitaria uma eleição em que um deles saísse como vencedor. 

Já Rodríguez, um dos nomes de destaque da cúpula chavista desde a gestão Hugo Chávez (1954-2013), não enfrente esse tipo de impedimento. 

Nos últimos tempos, ele já tem sido colocado na linha de frente das fotos oficiais e nas mesas das conferências para a imprensa, que o regime usa para explicar suas posições. Esteve, inclusive, nas delegações enviadas para Oslo e Barbados para as negociações com a oposição. 

No retorno da capital norueguesa, Maduro apareceu em cadeia nacional para elogiar o sucesso da delegação do governo e o único que aparecia na tela ao lado dele era o próprio Rodríguez.

Advogado, nascido numa pequena cidade da costa venezuelana, Río Chico, Rodríguez despontou na política local em 2007, mesmo ano em que surgiram os principais nomes da atual oposição, entre eles Leopoldo López, Juan Guaidó, Miguel Pizarro e Stálin González. 

Ele inclusive mantém uma relação cordial com estes opositores, o que também é considerado um ponto positivo. 

Durante os anos em que estudou na Universidade Central da Venezuela, Rodríguez era amigo de González, hoje vice-presidente da Assembleia Nacional (de maioria opositora) e braço direito de Guaidó.

A trajetória de Rodríguez dentro do chavismo começou quando tinha apenas 26 anos, ao se tornar chefe de gabinete de Chávez. 

O então presidente dizia a seu entorno que via no jovem o vigor de retórica e o perfil para ser um de seus herdeiros políticos no futuro. 

De fato, em 2007, quando a oposição começou a sair às ruas contra o governo, Rodríguez se destacou como uma das vozes mais contundentes em sua defesa.

A partir de então, ocupou vários ministérios estratégicos para o chavismo, incluindo as pastas de Esporte, Juventude e Educação, todas ligadas ao projeto de doutrinação e de recrutamento de novas fileiras de apoiadores. Em 2014 foi eleito deputado. 

Em 2017, quando era necessário um candidato forte para tirar do opositor Henrique Capriles o posto de governador de Miranda, Maduro escolheu o jovem político para a tarefa. 

Ele acabou vencendo a eleição, que foi marcada por denúncias da oposição de fraudes e outras irregularidades.

Mesmo com essas dúvidas pairando sobre sua legitimidade, Rodríguez vem fazendo um governo considerado bom pelos habitantes do estado, que é o segundo mais violento da Venezuela.

Sua estratégia foi centrar suas atenções na gestão e não no jogo político. Em Miranda, é possível encontrar mesmo entre moradores anti-Maduro quem elogie o governador. 

Rodríguez construiu escolas, equipou a polícia estadual para combater o crime e implementou um sistema de distribuição de comida a crianças em idade escolar que melhoraram sua aprovação.

Em seus discursos, reforça o tom conciliador. “Tenho a percepção de que os venezuelanos e seus partidos podem chegar a um acordo de convivência pacífica, onde nos reconheçamos mutuamente. Sei que na oposição há vontade de trabalhar pelo povo”, disse, ao voltar de Oslo. 

A declaração destoa completamente do tom adotado pelo resto do regime, que na maioria das vezes insulta os opositores e simplesmente não acena com a possibilidade de um diálogo.

O jovem político estaria também mantendo diálogo constante com o empresariado, que prefere um nome novo a antigos líderes da cúpula da ditadura —os  empresários o consideram um chavista moderado.

O desenlace da crise venezuelano, porém, ainda é incerto. As negociações até agora não chegaram a um acordo e o governador ainda teria que convencer Cabello, considerado o número dois do chavismo, de que é o melhor candidato.  

Apesar disso, o nome de Rodríguez segue ganhando cada vez mais força dentro da cúpula do regime, incluindo entre militares ligados a Maduro. 

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fonte: Folha de São Paulo folha.com.br