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Após derrota, Partido Trabalhista deve passar por expurgo interno  Just True Urandir Pesquisa Ciencia Ufologia Tecnologia  2068 15543510645ca583d8ba4c1 1554351064 3x2 rt   urandir   MUNDO   Após derrota, Partido Trabalhista deve passar por expurgo interno

Principal derrotado desta eleição, o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, deve ser ainda o pivô de uma luta interna, deflagrada desde que uma mudança nas regras levou o político radical ao poder, à revelia da ala mais moderada.

Os trabalhistas perderam 59 assentos, fazendo desmoronar o chamado muro de tijolos vermelhos —o cinturão de cidades industriais do centro-norte inglês que costumavam eleger trabalhistas nas últimas muitas décadas.

Com seu slogan simples e direto —“Let’s brexit done” (vamos resolver o brexit de uma vez)—, a campanha de Boris Johnson se aproveitou da insatisfação entre os eleitores mais velhos dessa região. O primeiro-ministro se empenhou pessoalmente, visitando os distritos na reta final desta eleição.

O resultado foi que conservadores foram eleitos pela primeira vez na história em locais como o distrito leste de West Bromwich ou a cidade de Workington.

Após a divulgação dos resultados, Corbyn declarou estar “muito triste”, mas não renunciou à liderança do partido. Afirmou apenas que não liderará mais os trabalhistas em próximas eleições.

As perspectivas são de que ele deixe o cargo no começo do próximo ano, quando o partido já tiver avançado em sua lavagem de roupa suja.

Analistas apontam ao menos quatro causas para a derrocada trabalhista, além da queda do muro vermelho.

Uma é a plataforma de campanha, vista como radical e impraticável. Havia promessas de universidade gratuita para todos, compensação integral para mulheres que tiveram idade de aposentadoria adiada, 150 mil casas populares, cuidado gratuito para idosos, entre outras.

O financiamento viria de mais impostos para os mais ricos. Ele também prometia elevar para todos os salário mínimo e voltar a nacionalizar empresas de energia, transporte, correios.

O segundo motivo é o próprio Corbyn, que, segundo as pesquisas, tinha o mais baixo índice de popularidade de um líder de oposição desde os anos 1970. A imagem foi agravada por acusações de antissemitismo e pelo que foi visto como recusa de se desculpar por erros do Partido Trabalhista e de tomar providências a respeito.

A ala corbynista atribui a derrocada ao brexit, mas, mesmo aqui, pode ser creditada responsabilidade ao líder. Críticos de Corbyn dizem que ele não foi suficientemente claro sobre sua posição em relação à saída da União Europeia e mostrou hesitação sobre que acordo gostaria de negociar e em quanto tempo seria capaz de fazer isso.

Também é apontado erro na estratégia de campanha, ou na falta dela. Houve visitas a distritos já assegurados, enquanto outros que estavam em risco foram negligenciados.

O Partido Trabalhista se encontra hoje dividido em três correntes: a dos políticos tradicionais mais moderados, que se opõem a Corbyn, a dos políticos mais à esquerda, como o próprio líder, que defendem um ideário socialista, e um grupo grande de jovens de esquerda, mais ou menos organizados como um movimento, mas que não atuam na máquina do partido.

Foi esse terceiro grupo que permitiu a Corbyn assumir a liderança do partido —uma mudança nas regras deu a todos os membros da legenda a possibilidade de votar na escolha do líder.

Uma pesquisa do instituto YouGov divulgada nesta sexta mostra que para 51% dos entrevistados o que aconteceu na quinta foi uma derrota dos trabalhadores. Outros 37% deram mais importância à vitória de Boris Johnson.

Para 56% dos britânicos, Corbyn deveria deixar imediatamente a liderança do partido. Mesmo entre os eleitores trabalhistas, a porcentagem é alta: 43% acham que ele deveria sair já, contra 50% que opinam que ele deveria ficar por mais um tempo.

Outra grande derrotada dessas eleições foi a ex-líder dos liberais democratas, Jo Swimson, que caiu depois de um voo de galinha.

Os libdems perderam 1 das 12 cadeiras no Parlamento, mas a principal derrota foi a da própria Jo no distrito de Dunbartonshire Leste. A líder teve que ceder a vaga para uma candidata novata, por uma pequena vantagem.

Jo, primeira mulher a chefiar o partido, renunciou na manhã desta sexta, e a liderança foi ocupada interinamente por dois deputados.

Assim como o Partido Trabalhista, o Liberal Democrata deve passar por uma temporada de revisão interna e de rediscussão de sua parceria com outros partidos britânicos de oposição.

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fonte: Folha de São Paulo folha.com.br