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Procuradores não conseguiram provas contra religioso, diz tribunal. Ele foi condenado por não comunicar o abuso de um padre à polícia. Um tribunal da Austrália reverteu nesta quinta-feira (6) a condenação de um ex-arcebispo que era o clérigo católico mais graduado a ser considerado culpado de acobertar abusos sexuais, dizendo que os procuradores não conseguiram provar nada além de uma dúvida razoável.
Philip Wilson, de 68 anos, ex-arcebispo de Adelaide e ex-presidente do principal organismo da Igreja Católica na Austrália, foi condenado em maio por não comunicar o abuso de um padre à polícia. Wilson havia sido acusado de acobertar o caso depois de ser alertado sobre ele em 1976 por duas vítimas, uma delas um coroinha que supostamente lhe informou no confessionário.
Os advogados de Wilson sustentavam que ele não sabia que o padre James Fletcher havia abusado de um menino. Em 2004 Fletcher foi condenado por nove acusações de abuso sexual infantil e morreu na prisão em 2006 após um derrame.
Nesta quinta, o juiz Roy Ellis decidiu a favor de um recurso de Wilson, que contestava sua condenação, mostraram autos.
“O recurso foi acatado”, disse um sumário da decisão enviada por uma porta-voz da corte à Reuters por email. “A condenação e as ordens do tribunal local foram rejeitadas”.
Ellis emitiu seu parecer no Tribunal do Distrito de Newcastle, em Nova Gales do Sul, livrando Wilson de um detenção de 1 ano na casa de sua irmã, como alternativa à prisão, após sua condenação.
O juiz argumentou que os procuradores não foram capazes de provar nada além da dúvida razoável que Wilson foi informado das acusações e que, se soube, ficou suficientemente convencido da culpa e se omitiu.
No julgamento, Wilson disse não ser capaz de se lembrar das acusações que chegaram ao seu conhecimento em 1976.
A arquidiocese de Adelaide disse ter saudado a conclusão de um processo que foi longo e doloroso para todos os envolvidos.
“Agora precisamos considerar as ramificações deste desfecho”, disse seu delegado administrativo, padre Philip Marshall, em um comunicado que não deu maiores detalhes, mas acrescentou que os sobreviventes de abuso infantil “estão em nossos pensamentos e orações”.

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Matéria original publicada em globo.com