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Protestos no Irã contra aumento nos combustíveis deixam mais de 100 mortos, afirma organização  Just True Urandir Pesquisa Ciencia Ufologia Tecnologia  3d90 ap19320662767632   urandir   MUNDO   Protestos no Irã contra aumento nos combustíveis deixam mais de 100 mortos, afirma organização
Governo de Hassan Rouhani reprimiu manifestantes com armas de fogo, acusa Anistia Internacional. Manifestantes protestam contra aumento no preço da gasolina em Sari, no norte do Irã, no sábado (16)
Mostafa Shanechi/ISNA via AP
A repressão de forças de segurança do Irã contra manifestantes que protestam contra aumento no preço dos combustíveis deixou 106 mortos, informou nesta terça-feira (19) a organização Anistia Internacional — que reconheceu que o número pode ser ainda maior.
Os protestos no Irã começaram na segunda-feira, após o regime de Hassan Rouhani aumentar o preço da gasolina em um país cuja economia já está abatida pelas sanções impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (leia mais sobre os protestos no fim da reportagem).
O governo iraniano, inclusive, acusa os EUA de interferirem em assuntos internos após a Casa Branca ter demonstrado apoio aos manifestantes.
Repressão violenta
Foto desta segunda-feira (18) mostra prédios incendiados em meio aos protestos em Karaj, no Irã
Masoume Aliakbar/ISNA via AP
Segundo a Anistia Internacional, as forças de segurança reprimiram os manifestantes com armas de fogo, canhões de água e gás lacrimogênio, além de espancar pessoas com cassetetes.
“Imagens de cartuchos de balas caídas no chão, assim como o número de mortes resultantes, indica que usaram munição real”, afirmou.
O Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas (ONU) para Direitos Humanos afirmou, em nota, que está “profundamente preocupado” com os relatos de repressão armada aos manifestantes. A organização também pediu que as pessoas “protestem pacificamente”.
“Estamos alarmados especialmente que o uso de armas de fogo deixou um número significativo de mortos pelo país”, afirmou Rupert Colville, porta-voz da organização.
Protestos no Irã
Trânsito em Teerã, em 18 de novembro de 2019
Atta Kenare / AFP
As manifestações começaram em 16 de novembro em muitas cidades do país, após o anúncio do aumento de pelo menos 50% do preço da gasolina. As autoridades iranianas anunciaram a detenção de mais de 200 pessoas e uma restrição ao acesso à internet.
Os protestos ocorrem em um cenário de crise econômica no Irã, agravada pela retirada unilateral dos Estados Unidos em 2018 do acordo sobre o programa nuclear iraniano, que provocou o retorno das sanções contra Teerã, o que tem graves consequências para o país.
Protesto de motoristas para rodovia contra aumento do preço da gasolina em Teerã
Nazanin Tabatabaee/Wana (West Asia News Agency) via Reuters
Nesta segunda-feira (18), o Irã criticou em um comunicado do ministério das Relações Exteriores o “apoio” dos Estados Unidos ao que chamou de “grupo de amotinados” e condenou os comentários “intervencionistas” de Washington.
No domingo (17), a Casa Branca condenou o Irã pelo uso de “força letal” contra manifestações.
“Estados Unidos apoiam o povo iraniano em seus protestos pacíficos contra o regime que deve governá-lo”, afirmou a porta-voz do governo americano, Stephanie Grisham.
“O nobre povo iraniano sabe que comentários hipócritas deste tipo não representam nenhuma marca honesta de simpatia”, respondeu o ministério iraniano.
Posto de gasolina destruído em Teerã, capital do Irã, em meio aos protestos que ocorrem no país contra aumento nos preços de combustíveis
Abdolvahed Mirzazadeh/ISNA via AP
Não há uma contagem oficial de mortos, feridos ou presos. Agências semi-estatais contaram apenas seis mortes, número rechaçado pela Anistia Internacional.
Imagens divulgadas pela imprensa estatal iraniana mostraram corões — o livro sagrado dos muçulmanos — queimados em mesquitas nos subúrbios de Teerã. Além disso, jornais e sites governistas publicaram fotos de estabelecimentos queimados por manifestantes.
A televisão oficial também mostrou protestos pró-governo, o que, segundo a agência AP, é outra tentativa de criticar os manifestantes e desmobilizar opositores.

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Matéria original publicada em globo.com