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Os assentamentos como tábua de salvação  Just True Urandir Pesquisa Ciencia Ufologia Tecnologia  8405 trump netanyahu   urandir   MUNDO   Os assentamentos como tábua de salvação
Trump tenta ao mesmo tempo ajudar Netanyahu e salvar a própria pele diante de seu eleitorado, legitimando as colônias israelenses. O presidente dos EUA, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, se cumprimentam após discurso de Trump no Museu de Israel em Jerusalém, em maio de 2017
Ronen Zvulun/Reuters
Ao retirar o rótulo de ilegalidade dos assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, o presidente Donald Trump atirou mais uma tábua de salvação para o premiê Benjamin Netanyahu, em apuros com a Justiça israelense e com o cargo seriamente ameaçado.
Só que, dessa vez, há espaço para mais gente nessa tábua. Às voltas com um processo de impeachment que ofusca sua campanha eleitoral, o próprio presidente americano também agarra-se a ela, assim como seu apático secretário de Estado, Mike Pompeo.
Netanyahu luta pela sobrevivência política, torcendo para que o adversário político, o ex-comandante militar Benny Gantz, não consiga montar um governo. O prazo se esgota à meia-noite desta quarta-feira, e o líder do Azul e Branco depende de alianças com partidos menores e ideologias incompatíveis.
Se Gantz fracassar, provavelmente novas eleições — as terceiras em um ano — serão convocadas. Por isso, o novo presente de Trump para Netanyahu não poderia vir em momento mais oportuno. Sairia fortalecido para uma nova campanha.
O presidente americano já ajudou a salvar o premiê israelense em outras ocasiões. Reconheceu Jerusalém como capital de Israel e transferiu para a cidade a sede da Embaixada dos EUA. Fechou o escritório da OLP em Washington e cortou o financiamento para palestinos. Legitimou a soberania israelense sobre as Colinas do Golã, às vésperas da eleição de abril.
Com Trump no comando, os EUA afastaram-se definitivamente de seu papel de mediador no Oriente Médio para influenciar a política interna de Israel, beneficiando diretamente o atual premiê. Mais do que nunca, agora o presidente americano tenta também salvar a própria pele, acenando ao mesmo tempo à sua base de eleitores evangélicos e a uma influente parcela do lobby judaico nos EUA.
Crianças israelenses brincam em assentamento em território da Palestina, em 19 de novembro de 2019
Ronen Zvulun/File Photo/Reuters
No caso dos assentamentos, o presidente reverte mais uma política praticada pelos EUA — esta há 41 anos: a de que as colônias de judeus nos territórios ocupados são “inconsistentes com o direito internacional”.
Essa legitimação americana aos assentamentos mina as esperanças para a solução de dois Estados no cada vez mais improvável processo de paz. E tampouco garante a segurança dos 500 mil judeus que vivem em 140 assentamentos que são considerados ilegais pela comunidade internacional.
Nos últimos dias de seu mandato, o então presidente Barack Obama corroborou essa tese, permitindo a aprovação da resolução 2334, do Conselho de Segurança da ONU, que classificava as comunidades construídas por Israel a partir de 1967 em territórios ocupados como uma flagrante violação do direito internacional.
Trump não tem como reverter a resolução da ONU, sob o risco de ser vetada por outros membros. Preferiu desatrelar o termo ilegal para os assentamentos israelenses, isolando mais uma vez os EUA, juntamente com Israel, do resto da comunidade internacional.

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Matéria original publicada em globo.com