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Presidente dos EUA diz que tomou decisão porque, segundo ele, Brasil desvalorizou o real de forma ‘maciça’. Mesmo assim, para chanceler, relação entre os países pode ser ‘mais profunda’. Governo diz que vai defender interesse comercial do Brasil
O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou nesta segunda-feira (2) que não preocupa o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de reinstalar as tarifas de importação sobre o aço e o alumínio do Brasil. Conforme Trump, a medida também vale para a Argentina.
Ernesto Araújo deu a declaração após ter participado de uma cerimônia no Palácio do Planalto, na qual também estava presente o presidente Jair Bolsonaro.
“Essa medida não nos preocupa e não nos tira desse trilho rumo a uma relação mais profunda”, declarou o ministro.
Mais cedo, nesta segunda, Bolsonaro disse que, se for necessário, telefonará para Donald Trump para conversar sobre o assunto. Segundo Ernesto Araújo, contudo, “por enquanto” isso não vai acontecer porque as conversas estão em “nível técnico”.
“Vamos conversar, vamos entender a medida, como eu digo, com toda tranquilidade. Não estamos de forma nenhuma apurados com isso, vamos avaliar o impacto, avaliar exatamente que tipo de medida os EUA estão pensando”, afirmou o chanceler brasileiro.
Pouco depois, ao chegar ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro foi questionado sobre o assunto e disse que o ministro da Economia, Paulo Guedes, “vai ligar lá”. Sem dar detalhes, o presidente não respondeu a mais perguntas.
Segundo Ernesto Araújo, o governo está em contato com autoridades, especialmente em Washington, para discutir o tema.
O ministro disse ainda que o Poder Executivo tentará chegar a um entendimento com os Estados Unidos, mas não especificou o que pode ser decidido.
“Sabe que é um setor que desde ano passado já preocupava os americanos. Então, vamos, como eu digo, tentar entender e ver como a gente vai conversar com EUA, com muita calma, vamos chegar a um entendimento sobre isso”, declarou.
Trump diz que vai restaurar tarifas sobre aço e alumínio do Brasil
Relação Brasil-EUA
Desde a campanha eleitoral de 2018, Bolsonaro afirmava que, se eleito, buscaria aproximar Brasil e Estados Unidos. Desde que assumiu a Presidência, já viajou ao país três vezes e chegou a dizer que indicaria o filho Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para o cargo de embaixador em Washington, o que não se concretizou.
Conforme a colunista do G1 e da GloboNews Júlia Duailibi, contudo, a relação tem sido mais vantajosa para os Estados Unidos. Isso porque, entre outros pontos:
o Brasil deixou de exigir visto para turistas dos EUA;
o Brasil permitiu aos Estados Unidos lançar foguetes da Base de Alcantâra (MA);
o Brasil elevou a cota de importação de etanol, beneficiando os EUA;
os Estados Unidos ainda não oficializaram apoio à entrada do Brasil na OCDE;
os Estados Unidos mantiveram o veto à carne bovina in natura brasileira.
Comentaristas analisam reações às declarações de Trump sobre taxações
Reação da indústria
Após o anúncio de Trump, o Instituto Aço Brasil informou ter recebido “com perplexidade” a decisão do presidente norte-americano.
Para a entidade, o movimento é uma “retaliação” que “não condiz com as relações de parceria entre os dois países”.
“O Instituto Aço Brasil reforça que o câmbio no país é livre, não havendo por parte do governo qualquer iniciativa no sentido de desvalorizar artificialmente o real e a decisão de taxar o aço brasileiro como forma de “compensar” o agricultor americano é uma retaliação ao Brasil”, afirmou a entidade, em nota.

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Matéria original publicada em globo.com