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Manifestantes bloqueiam avenidas do centro de Hong Kong e lei de extradição é adiada  Just True Urandir Pesquisa Ciencia Ufologia Tecnologia  1aa5 hk   urandir   MUNDO   Manifestantes bloqueiam avenidas do centro de Hong Kong e lei de extradição é adiada
Debate do polêmico projeto de lei no Parlamento, que deveria ocorrer nesta quarta, foi adiado e não tem data par ser analisado no Legislativo. Manifestantes ocupam ruas perto do Conselho Legislativo e sede do governo em Hong Kong
Philip Fong / AFP Photo
Milhares de manifestantes bloqueavam nesta quarta-feira (12) as duas principais avenidas do centro de Hong Kong, em mais um protesto contra a lei que autoriza extradições para a China continental.
Os manifestantes – a maioria jovens vestidos de preto – cercaram os prédios do governo no centro da ilha e bloquearam o trânsito, exigindo a retirada do projeto, apoiado por Pequim.
Mas o debate do polêmico projeto de lei no Parlamento, que deveria ocorrer nesta quarta, foi adiado para “uma data posterior”, anunciou a presidência do Legislativo.
A partir da manhã, duas grandes avenidas foram ocupadas por milhares de pessoas, obstruindo o tráfego, em uma tática parecida a adotada em 2014, durante o movimento Occupy.
A polícia de choque recorreu ao gás de pimenta para dispersar manifestantes que se aproximavam do Parlamento e utilizou cartazes para adverti-los sobre o uso da força em caso de avanço da multidão.
No domingo (9), a ex-colônia britânica foi palco do maior protesto ocorrido desde sua transferência para a China em 1997. De acordo com os organizadores, mais de um milhão de pessoas foram às ruas pedir ao Executivo de Hong Kong que desista de seu projeto de lei.
Na terça (11), dezenas de empresas e estabelecimentos comerciais de Hong Kong anunciaram sua intenção – incomum na ex-colônia britânica – de fechar as portas na quarta para protestar contra o projeto.
O texto provocou críticas de países ocidentais, bem como o clamor de alguns em Hong Kong, que temem uma Justiça chinesa opaca e politizada e acreditam em que essa reforma prejudicará a imagem internacional e a atratividade do território semiautônomo.
A escala do protesto não intimidou, porém, a chefe do Executivo local, Carrie Lam. Ela reiterou que o Conselho Legislativo (LegCo) – o “Parlamento” de Hong Kong – analisaria, como previsto, este texto em segunda e terceira leitura.
Segurança foi reforçada em torno do LegCo.
Manifestantes usam máscaras e óculos no centro de Hong Kong
Philip Fong / AFP Photo
#greve1206
Vários comerciantes já se mobilizaram nas redes sociais, sob a hashtag que pode ser traduzida como “#greve1206″, para anunciar que sua loja fechará portas para permitir que seus funcionários possam protestar.
São, principalmente, empresas familiares e pequenas lojas no coração da economia local, mas raramente ouvidas no debate político.
Na terça-feira, mais de 100 empresas anunciaram sua intenção de fechar as portas, entre elas cafés e restaurantes, lojas de câmeras e de brinquedos, salões de beleza, estúdios de ioga e até mesmo uma sex shop.
No acordo de 1984 entre Londres e Pequim, que selou sua retrocessão em 1997, Hong Kong desfruta de uma semiautonomia e liberdades que não existem na China continental e, em tese, até 2047.
A ex-colônia britânica tem sido, no entanto, palco de intensa agitação política na última década, devido à preocupação com a crescente interferência de Pequim em seus assuntos internos.
Policiais jogam água em um manifestante em Hong Kong
Anthony Wallace / AFP Photo
Mais de 1.600 funcionários de companhias aéreas pediram, em um abaixo-assinado, a seu sindicato que entre em greve.
Um sindicato de motoristas de ônibus convidou seus membros a dirigirem muito lentamente nesta quarta-feira para mostrar apoio aos manifestantes.
Professores, enfermeiros e assistentes sociais também expressaram disposição em interromper o trabalho.
O projeto de lei deve permitir extradições para todas as jurisdições, com as quais não exista acordo bilateral, incluindo a China continental.
O texto – dizem as autoridades – deve preencher um vácuo legal e fazer que a cidade deixe de ser um refúgio para alguns criminosos. As autoridades garantem que existem salvaguardas em relação aos direitos humanos e que não terá adversários políticos da China como alvo.
Depois de anos de tensão política, porém, muitos moradores de Hong Kong não acreditam mais nas promessas de seus políticos e desconfiam das intenções do governo chinês.
No final de 2014, o centro de Hong Kong foi bloqueado durante várias semanas pelo “Movimento dos Guarda-chuvas”, uma mobilização para exigir que a eleição do chefe do Executivo acontecesse por sufrágio universal. Pequim não deixou passar.

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Matéria original publicada em globo.com