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Profissionais tiveram de deixar Brasil, El Salvador, Equador e Bolívia este ano. Seus salários, que têm grande parte confiscado pelo Estado cubano, ajudavam a financiar a saúde pública na ilha. Médicos cubanos que retornaram da Bolívia após queda de Evo Morales agitam bandeiras no aeroporto de Havana, em novembro
Reuters
Do Brasil, de El Salvador, do Equador e da Bolívia, cerca de 9 mil médicos cubanos foram repatriados no último ano, após o cancelamento de seus contratos, uma decisão estimulada pelo governo Donald Trump e que pode significar um duro golpe para a economia da ilha.
Para Cuba, Washington promove uma campanha para desprestigiar um programa emblemático que data de 1963 e do qual mais de 400 mil pessoas participaram em 164 países.
“A cruzada dos Estados Unidos contra a cooperação médica internacional é um ato infame e criminoso”, escreveu o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, na quinta-feira, no Twitter.
Os Estados Unidos acusam Cuba de “explorar mão de obra escrava”, já que o Estado fica com a maior parte do dinheiro por esses serviços.
Já no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro, aliado de Trump, alegou que o sistema foi aproveitado para infiltrar agentes de inteligência.
Ajuste na receita
A reconfiguração política na América Latina — que, em grande medida, deu uma guinada para a direita — afetou o programa.
No caso de Bolívia e El Salvador, cujos governos até recentemente eram aliados da ilha, o envio de médicos era um serviço gratuito.
“Milhares de pacientes ficam desprovidos de serviços médicos”, lamentou a doutora Luisa García, ao chegar a Havana procedente de La Paz. Ela e seus colegas foram recebidos entre vivas, como heróis, no aeroporto.
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No Equador, porém, os 382 profissionais, cujos contratos foram cancelados, eram pagos pelo governo local, assim como os 8 mil médicos que deixaram o Brasil, após a eleição de Bolsonaro no final de 2018.
A magnitude destes golpes financeiros não foi incluída nas estatísticas oficiais, que registram US$ 6,398 bilhões de dólares em 2018 por serviços de saúde no exterior. Com essa receita, o Estado cubano financia seu sistema público de saúde.
“Os serviços médicos continuam sendo a principal fonte de receita externa para a economia, e são contratos de difícil relocalização, porque depende de acordo com os governos, muito sensíveis aos ciclos políticos”, explica o economista Pavel Vidal, da Universidade Javeriana da Colômbia.
Mesmo neste cenário, Michael Cabrera, subdiretor da Unidade Central de Cooperação Médica, órgão estatal que supervisiona o envio de médicos para o exterior, é otimista.
“Sabíamos que não continuaríamos no Brasil e já fizemos os planos (de 2019) em função dessa realidade (…) Estamos dentro do planejado, com a exceção do Brasil, que significava um [alto] percentual em todas as operações”, disse ele à AFP.
Em 2018, mais de 34 mil profissionais de Saúde cubanos trabalhavam em 66 países. Historicamente, “mais de 95%” voltaram e, desde 2016, “99%” retornam, relatou Cabrera.

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Matéria original publicada em globo.com